Tenho, cada vez mais, me entregue às artes. Descobri que através do tricô posso unir pontos e fazer render algo que sirva para esquentar alguém e também à mim. Descobri que cozinhar além de ser maravilhoso, é também uma forma de demonstrar amor através da escolha dos ingredientes, dos pratos escolhidos, da decoração carregada de boas energias e da magia que acontece quando nos reunimos com boa companhia para saborear estas delícias.
Mas tem uma arte que estou me demorando mais para aprender: a arte de deixar pra lá.
Deixar pra lá a opinião maldosa de quem não é essencial na nossa vida é um tratamento de saúde.
Deixar pra lá atitudes com intenções tão doentes que corremos o risco de perder o foco e, assim ficarmos presos no nada que nos leva a coisa nenhuma.
Deixar pra lá quando um tombo, principalmente os emocionais, só ralaram o ego.
Deixar pra lá quando uma frustração tão pequena vem nos visitar e se não cuidarmos estraga todo o dia.
Deixar pra lá quando esperamos algo de alguém e este algo se dissolve no nada.
Deixar pra lá quando apenas não gostamos de algo, mas, de verdade, se não tivermos não nos prejudica em nada.
Deixar pra lá quando fazemos algo com boa vontade por alguém e este alguém ainda não está disponível para afeto. Cada um tem seu tempo e o tempo tem as cores da nossa história junto com pegadas de realidade.
Ainda estou investindo nesta arte. Na arte de deixar pra lá o que me atrasa, o que me destrói, o que me leva mais para a morte do que para a vida. Tudo aquilo que criei uma expectativa e que a realidade me disse que não seria do meu jeito.
O desafio é deixar pra lá sem excluir o que faz e fez parte da minha história. Apenas procuro não carregar de energia e nem no meu peito aquilo que não me faz ir em frente com amor.
Fernanda Nunes Gonçalves
